JUÍZES E JUÍZES
JUÍZES E JUÍZES

Lá pela década de 1960, na adolescência,
achava que o juiz era um ser supremo entre os mortais. Era o cargo mais importante do país. Mais importante até
que o presidente da república. O juiz julga fatos, pessoas e dita destinos. Tem
que ser um cidadão de alma imaculada. De caráter firme e reto, probo.
Inatingível moralmente. Na minha visão inexperiente de jovem, acima dele só
Deus!
Os anos me mostraram que não é bem
assim...
Debaixo da capa dos juízes existem
seres humanos, suscetíveis a desejos
escusos, como a ganância.
Apesar da imensa maioria ser séria,
honesta, hoje temos muitos juízes
corruptos. Alguns casos famosos como o "Lalau"
e recentemente o juiz do caso Elke, etc.
Existem também pencas de juízes
políticos. A forma de preenchimento das vagas dos magistrados do Supremo com
indicação pelo Presidente da República e simples arguição pelo Senado, precisa
ser mudada, às vezes ocorre vínculo, deixa um certo sentimento de gratidão e até de subserviência.
O Senado sempre aprova e por sua vez o Executivo
indica quem lhe convém, nem sempre levando em conta aspectos técnicos como o
cargo exige.
Os juízes do STF, Dias Toffoli, Gilmar
Mendes e Teori Zavaski jogaram um balde de água fria na população brasileira
com a soltura dos empresários bandidos da Lava Jato, principalmente Ricardo
Pessoa, que sabe muito de altos figurões da República e estava disposto a fazer
a delação premiada, que viria a comprometer esses tubarões da política
brasileira, conforme noticiou a mídia uma semana antes da liberdade dos corruptos
envolvidos.
O juiz Sérgio Moro, agentes da Polícia
Federal e Procuradores da República estavam no caminho certo em busca do chefão
da quadrilha e no rastro dos bilhões desviados da Petrobrás e, com toda certeza,
a quadrilha tinha seus tentáculos em outros órgãos públicos, como o BNDS, Eletrobrás
e obras do PAC.
A submissão do Judiciário ao Executivo é
um dos pilares do bolivarianismo.
A decisão desses três
juízes do STF foi uma ceifada no sonho de brasileiros em ver o país livre dessa
corrupção banalizada e institucionalizada que tomou conta do país nesses doze
anos de petismo.
Luís Leite, abril de
2015.